Combustíveis na semana: diesel em alta no Brasil e petróleo em queda no exterior

Entre 28 de setembro e 2 de outubro, o setor acompanhou discussões sobre reservas internacionais, a preparação para o abastecimento de diesel e novos dados da produção brasileira de petróleo. Nas bombas, o último levantamento da ANP mostrou aumento dos principais combustíveis.

O mercado de combustíveis chega a esta sexta-feira com movimentos diferentes no Brasil e no exterior. Enquanto o petróleo recuou no mercado internacional diante da possibilidade de liberação de reservas, os preços nos postos brasileiros apresentaram alta no levantamento oficial mais recente, com destaque para o diesel S-10.

As preocupações com a oferta mundial continuam no centro das atenções. A suspensão das exportações chinesas de combustíveis em outubro e as discussões europeias sobre o uso de estoques estratégicos influenciaram as negociações e mantiveram o setor atento ao abastecimento.

Diesel S-10 lidera a alta nos postos

Na pesquisa da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis referente ao período de 20 a 26 de setembro, o diesel S-10 registrou aumento de 2,81%, atingindo a média nacional de R$ 7,33 por litro.

A gasolina comum apresentou uma variação menor: subiu 0,15%, passando para R$ 6,55 por litro. O etanol hidratado avançou 0,49%, chegando a R$ 4,10 por litro.

O gás de cozinha também ficou mais caro. O preço médio do botijão de 13 quilos aumentou 0,49%, para R$ 114,80. Esses valores correspondem ao levantamento mais recente disponível na consulta e não representam uma medição dos preços praticados entre 28 de setembro e 2 de outubro. Confira a síntese da ANP.

Petróleo recua com possibilidade de liberação de reservas

No cenário internacional, as negociações sobre uma possível liberação adicional de reservas de petróleo e diesel na Europa ajudaram a reduzir as cotações nesta sexta-feira.

Segundo a Reuters, às 7h35 no horário de Brasília, o barril do Brent era negociado a US$ 99,74, em queda de 2,51%. O petróleo WTI recuava 3,8%, para US$ 89,34. Naquele momento, os dois contratos caminhavam para encerrar a semana em baixa.

Os contratos europeus de gasóleo, utilizados como referência para o diesel, também caíram cerca de 5%. O movimento refletiu a expectativa de que a disponibilização de estoques pudesse aliviar a oferta apertada. Os valores são cotações durante o pregão, e não o fechamento da sexta-feira. Leia a reportagem da Reuters.

Suspensão de exportações chinesas mantém preocupação com a oferta

Apesar do recuo das cotações, a disponibilidade de combustíveis continua sob pressão. A suspensão das exportações chinesas de derivados em outubro reduziu a perspectiva de fornecimento ao mercado internacional.

A notícia havia contribuído para a alta do petróleo na quinta-feira. Na sexta, o mercado passou a ponderar essa restrição junto aos sinais de recuperação da oferta no Oriente Médio e à possibilidade de novas liberações de reservas.

O resultado foi uma semana de oscilações, na qual notícias sobre estoques, exportações e tensões geopolíticas provocaram mudanças rápidas de direção nos preços. Veja a análise da Reuters.

Petrobras entra em outubro com cargas de diesel contratadas

No Brasil, o abastecimento de diesel permanece entre os assuntos acompanhados pelo setor. Em declaração feita em 23 de setembro, a diretora de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, Angélica Laureano, informou que a companhia havia comprado cargas suficientes para atender à sua participação no mercado em outubro.

Segundo a executiva, foram importados 650 mil metros cúbicos de diesel para complementar a produção nacional. Ela também destacou a utilização elevada das refinarias como parte da estratégia de atendimento à demanda.

A informação representa a preparação da Petrobras para abastecer seus clientes durante o mês. A declaração, publicada na semana anterior, ajuda a contextualizar a entrada de outubro diante das incertezas internacionais. Confira a notícia da Fecombustíveis, com informações do Eixos.

Produção brasileira de petróleo cresce

A quinta-feira, 1º de outubro, trouxe novos dados da produção nacional. Segundo a ANP, o Brasil extraiu 4,615 milhões de barris de petróleo por dia em agosto, aumento de 2,6% em relação a julho e de 18,4% na comparação com agosto de 2025.

Somando petróleo e gás natural, a produção atingiu 6,002 milhões de barris de óleo equivalente por dia. O pré-sal respondeu por 82,6% desse total, mantendo sua participação predominante na produção brasileira.

Os números mostram crescimento da extração nacional, enquanto o mercado de combustíveis segue acompanhando separadamente a produção das refinarias e a disponibilidade de derivados. Acesse os dados divulgados pela ANP.

O que observar na próxima semana

As decisões sobre a liberação de reservas europeias e os efeitos da suspensão das exportações chinesas estarão entre os principais pontos de atenção. Esses movimentos podem alterar a disponibilidade internacional de diesel e a trajetória das cotações.

No Brasil, o próximo levantamento da ANP permitirá verificar se a alta recente do diesel S-10 continuou e como gasolina, etanol e gás de cozinha se comportaram na virada do mês.

Para postos e distribuidoras, acompanhar preços de compra, prazos de entrega e condições de reposição será essencial para avaliar os efeitos desses movimentos sobre a operação.

Reportagem atualizada em 2 de outubro de 2026, com informações disponíveis até a manhã de sexta-feira.