A cadeia de comercialização de diesel enfrenta um novo aperto no Brasil em setembro, justamente no início do plantio da safra.
Os efeitos são sentidos principalmente no Rio Grande do Sul, que já havia registrado problemas de abastecimento em abril.
O cenário resulta da redução das importações pela Petrobras, em meio à disparada dos preços internacionais, e da demora na regulamentação do subsídio adicional de R$ 1 por litro de diesel anunciado na semana passada.
O valor e a duração do benefício dependem de uma portaria do Ministério da Fazenda, que promete publicar o texto “até o fim desta semana”. Até o fechamento desta edição, porém, a medida ainda não havia sido divulgada.
A Petrobras informou que aguarda a publicação dos atos legais para avaliar e implementar os novos preços do diesel.
Desde o início da guerra no Oriente Médio, a estratégia da estatal para enfrentar a alta internacional do petróleo tem sido ampliar a utilização das refinarias brasileiras. A produção nacional, contudo, não é suficiente para atender a toda a demanda do país.
Ao mesmo tempo, a ampla defasagem entre os preços praticados pela Petrobras e as cotações internacionais fechou a janela de oportunidade para outros importadores. Com isso, os pedidos das distribuidoras ficaram concentrados na estatal.
Dados obtidos com exclusividade pelo eixos PRO mostram que a Petrobras permanece como a maior importadora de diesel S10 do país desde março, embora os volumes oscilem significativamente. Confira os detalhes na matéria completa em nosso site.
A companhia afirma que as importações previstas para setembro e outubro estão em “volumes compatíveis com a demanda”. Segundo a estatal, “o mercado nacional também é atendido por outros agentes, como distribuidores, importadores e outros produtores, que complementam a oferta de combustíveis”.
O cenário internacional aumenta a pressão. O barril de petróleo voltou a ser negociado acima de US$ 100 neste mês, em meio à escalada das tensões no Oriente Médio. A valorização dos combustíveis tem sido ainda mais intensa que a do petróleo bruto, reflexo da crise global do setor de refino.
Além disso, praticamente cessaram as importações de diesel russo a preços mais competitivos. Após ataques contra suas refinarias, a Rússia restringiu as vendas ao exterior nos últimos meses.
Em agosto, o Brasil importou da Rússia o equivalente a apenas 56,1 milhões de quilos de diesel — menos de 10% do volume registrado em agosto de 2025. Os Estados Unidos foram a principal origem do combustível adquirido no exterior.
A crise não se restringe ao Brasil. Como dica de leitura, o The New York Times reuniu uma lista de países que enfrentam protestos contra a alta dos preços e problemas no abastecimento de combustíveis, com destaque para os pontos mais críticos da Ásia.
Preço do barril sobe… O Brent era negociado a US$ 108 às 6h de quarta-feira, no horário de Brasília, em leve queda. Na terça-feira (15), a cotação fechou em US$ 108,75, com alta de 2,9%.
Os investidores avaliam os possíveis impactos sobre a oferta de petróleo da Arábia Saudita após os houthis, do Iêmen, atacarem um importante oleoduto no país na semana passada.
…e impulsiona o superávit. A melhora do superávit comercial brasileiro em 2026 tem sido impulsionada pelo desempenho da indústria extrativa, especialmente pelas exportações de petróleo bruto.
O setor amplia os saldos comerciais com a China e a União Europeia e sustenta o resultado agregado, apesar do déficit recorrente da indústria de transformação.
A análise integra o relatório do Indicador de Comércio Exterior (Icomex), da Fundação Getulio Vargas (FGV).
Redata sancionado, mas ainda em disputa. O presidente Lula (PT) sancionou, na terça-feira (15), o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata), encerrando uma tramitação marcada por mais de um ano de idas e vindas no governo e no Congresso Nacional.
A sanção, contudo, não encerra a disputa sobre a possibilidade de projetos abastecidos por gás natural terem acesso aos benefícios fiscais.
Falando nisso… O consumo de energia dos servidores de inteligência artificial instalados em data centers deverá dobrar até 2030, segundo o estudo Data Center Demand Index, da Kearney.
Em 2025, os servidores de IA responderam por uma parcela entre 23% e 27% da eletricidade consumida pelos centros de dados.
Judicialização no mercado livre de gás. A Justiça do Rio de Janeiro autorizou a Agenersa a retomar a análise de novos pedidos de migração para o mercado livre de gás natural no estado.
Permanece suspenso, no entanto, qualquer processo que obrigue a Naturgy a efetivar a migração de clientes com consumo inferior a 100 mil m³ por dia.
Investimentos em infraestrutura. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) defende a criação de um novo regime de financiamento para ampliar a atração de capital privado e mais que dobrar os investimentos em infraestrutura no Brasil.
Estudo divulgado pela entidade estima que o país precisará elevar os aportes dos atuais 2,27% do Produto Interno Bruto (PIB) para 4,65% ao ano — cerca de R$ 550 bilhões anuais — e manter esse patamar por pelo menos duas décadas para superar o déficit histórico do setor.
Metas de CBIOs. O Ministério de Minas e Energia abriu consulta pública sobre as metas decenais de aquisição de Créditos de Descarbonização (CBIOs) pelas distribuidoras de combustíveis entre 2027 e 2036.
Ao todo, as metas somam 665,11 milhões de créditos.
Fonte: Eixos