Preço do Brent avança pela segunda sessão seguida e acumula alta de mais de 10% na semana, à medida que negociações para reabertura da rota estratégica travam
O barril de petróleo tipo Brent segue em forte trajetória de alta nesta terça-feira (11), pressionado pelo impasse entre Estados Unidos e Irã em torno da reabertura do Estreito de Hormuz. A commodity opera na casa dos US$ 92 a US$ 93, patamar que reacende preocupações com inflação global e amplia as apostas do mercado em uma nova alta de juros americana ainda neste ano.
Semana de forte volatilidade
O petróleo já acumula alta superior a 10% nos últimos sete dias. Apesar de sinalizações otimistas do governo americano no início do mês, Washington e Teerã não avançaram para um acordo sobre a via marítima, por onde passa parcela relevante do petróleo comercializado globalmente.
O principal entrave surgiu nesta segunda-feira (10), quando o presidente Donald Trump afirmou que buscará compensação por danos ligados a décadas de conflitos atribuídos ao Irã como parte de qualquer negociação de paz — resposta direta à exigência iraniana de que os EUA paguem reparações de guerra como condição prévia para qualquer resolução da crise.
Outros fatores de pressão
Além do impasse diplomático, dois elementos reforçam a tensão nos mercados:
- Ataques a infraestrutura energética russa: a Ucrânia intensificou ofensivas contra ativos ligados ao setor de petróleo na Rússia, incluindo uma refinaria em Tartaristão e uma planta petroquímica na região de Tyumen.
- Reservas dos EUA em nível histórico baixo: o estoque da Reserva Estratégica de Petróleo americana recuou para 298,7 milhões de barris na última semana — o menor volume desde janeiro de 1983.
O que isso significa para o Brasil
A alta sustentada do Brent tende a pressionar os custos de importação de combustíveis no país, especialmente do diesel, do qual o Brasil ainda importa cerca de 30% do volume consumido internamente. Embora a Petrobras não adote mais a política de Preço de Paridade de Importação (PPI) — o que reduz o repasse imediato da volatilidade internacional para a bomba —, o cenário externo segue como uma das referências acompanhadas pela estatal na formação de sua política comercial.
Até o momento, não há sinalização de reajuste nos preços de venda da Petrobras às distribuidoras nem posicionamento da ANP sobre o tema.