O primeiro levantamento de preços da gasolina do ano, divulgado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostra que 2026 não começa fácil para os motoristas. Entre 4 e 10 de janeiro, o valor médio do litro no Brasil foi de R$ 6,29, ou R$ 0,07 (1,1%) a mais do que os R$ 6,22 da última semana de 2025, impulsionado pelo aumento do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). E Autoesporte mostra o preço médio em cada estado e no Distrito Federal.
Desde o dia 1° de janeiro desse ano o imposto subiu R$ 0,10 por litro para o tributo estadual: saindo de R$ 1,47 para R$ 1,57. De acordo com o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), a medida atende a Lei 192/2022 aprovada pelo Congresso Nacional que determina reajuste fixo do valor em todos os estados.
Vale lembra que o último reajuste do ICMS, também de R$ 0,10, tinha sido em fevereiro do ano passado, quando houve elevação do imposto de R$ 1,37 para R$ 1,47.
De acordo com a ANP, o estado com a maior média de preço da gasolina comum é o Acre, saindo R$ 7,24 por litro. Já o estado com o menor índice é o Piauí: R$ 5,91. É importante ressaltar que o único estado que não teve dados divulgados é o Amapá.
Confira a tabela por ordem alfabética
| Estado | Preço |
| Acre | R$ 7,24 |
| Alagoas | R$ 6,03 |
| Amazonas | R$ 7,02 |
| Amapá | Não divulgado |
| Bahia | R$ 6,41 |
| Ceará | R$ 6,17 |
| Distrito Federal | R$ 6,49 |
| Espírito Santo | R$ 6,38 |
| Goiás | R$ 6,44 |
| Maranhão | R$ 5,94 |
| Mato Grosso | R$ 6,44 |
| Mato Grosso do Sul | R$ 6,03 |
| Minas Gerais | R$ 6,18 |
| Pará | R$ 6,27 |
| Paraíba | R$ 5,98 |
| Paraná | R$ 6,53 |
| Pernambuco | R$ 6,38 |
| Piauí | R$ 5,91 |
| Rio de Janeiro | R$ 6,21 |
| Rio Grande do Norte | R$ 6,35 |
| Rio Grande do Sul | R$ 6,35 |
| Rondônia | R$ 6,96 |
| Roraima | R$ 6,70 |
| Santa Catarina | R$ 6,41 |
| São Paulo | R$ 6,13 |
| Sergipe | R$ 6,50 |
| Tocantins | R$ 6,55 |
Fonte: ANP
Gasolina com mais etanol na mistura (E30)
A gasolina vendida nos postos está com mais mistura de etanol desde agosto do ano passado, quando a chamada gasolina E30 entrou em vigor, e ampliou o percentual de etanol de 27,5% para 30% no combustível. Para elevar o teor, o governo federal também aprovou a nova octanagem, que sobe de 93 para 94 RON. Este é o índice que mede a resistência à detonação da gasolina: quanto maior o resultado, mais eficiente é o combustível.
Segundo estimativa do governo, a transição do E27 para o E30 evitará a importação de 760 milhões de litros de gasolina por ano. Ao mesmo tempo, o Brasil ampliará a produção nacional de etanol em 1,5 bilhão de litros e investirá R$ 9 bilhões no setor. Além disso, também houve previsão de que o preço para o consumidor fosse reduzido em até R$ 0,20 — valor que depois caiu para R$ 0,13.
Autoesporte consultou dois órgãos independentes com conhecimento no assunto, o Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) e o Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), para entender o que impediu essa redução nos postos.
O IBP acompanhou o cálculo do governo e observou que, enquanto a conta ministerial estimava redução, os dados colhidos internamente na verdade mostravam um possível aumento de R$ 0,01.
Um dos tópicos que interferem na conta é que o etanol anidro ficou mais caro quando a gasolina E30 entrou em vigor. Segundo Ana Mandelli, diretora executiva do IBP, isso tem relação com a lei da oferta e demanda. “Se vão precisar de mais etanol para produzir a gasolina, aumenta-se a procura […]. As margens são apertadas; é um negócio de escala em que tudo pode interferir no preço”, explica.
Para o especialista Pedro Rodrigues, do diretor do CBIE, a variação do preço é imprevisível. “No Brasil, os postos de combustível são livres para determinar o preço […]. Existem custos pulverizados no preço da gasolina que vão além do próprio valor do litro”.
Não há expectativa para que o preço da gasolina seja reduzido nos próximos meses. Confira abaixo a média mensal do preço da gasolina em 2025.
Preço médio da gasolina comum no Brasil em 2025
| Mês | Preço médio |
| Janeiro | R$ 6,17 |
| Fevereiro | R$ 6,36 |
| Março | R$ 6,34 |
| Abril | R$ 6,32 |
| Maio | R$ 6,28 |
| Junho | R$ 6,23 |
| Julho | R$ 6,21 |
| Agosto (mês que E30 entrou em vigor) | R$ 6,19 |
| Setembro | R$ 6,19 |
| Outubro | R$ 6,20 |
| Novembro | R$ 6,17 |
| Dezembro | R$ 6,19 |
| Média anual | R$ 6,24 |
Fonte: ANP e Fecombustiveis