Fim de subsídio ao diesel preocupa distribuidoras

As distribuidoras de combustíveis estão preocupadas com a forma como vai terminar o pagamento de subsídio para o óleo diesel. O presidente da Raízen, Luis Henrique Guimarães, acha que o governo atual e o próximo deveriam começar a discutir uma fórmula de saída para os preços do diesel, lembrando que o subsídio termina dia 31 de dezembro.

Ele lembrou que algumas projeções sugerem que o petróleo pode chegar a custar US$ 100 o barril (atualmente está na faixa de US$ 81) e isso trará pressão adicional sobre os preços coincidindo com o fim do subsídio.

Ele defendeu uma saída gradual para a volta da liberdade de preços. O subsídio dado para encerrar a greve dos caminhoneiros em maio é de R$ 0,30 por litro, sem considerar a redução adicional de R$ 0,16 do PIS/Cofins que reduz o preço em R$ 0,46. Uma retirada rápida desse valor, segundo Guimarães, pode fazer com que haja uma transferência bilionária de resultado de um elo da cadeia para o outro de um dia para outro.

Sobre as mudanças em estudo pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), Guimarães disse que o regulador deve ter cuidado na construção de um novo modelo para um mercado complexo como o de combustíveis. “É preciso entender primeiro aonde se quer chegar.”

A Raízen planeja investir R$ 2 bilhões nos próximos dois anos, e Guimarães disse que está “olhando com cautela para entender” a direção que o setor vai tomar. Segundo ele, a preocupação é com propostas de saída do subsídio de preços do diesel. “Se vai ser neste ano ou no ano que vem [não sabemos]. Se for no ano que vem, será preciso obviamente ter um compromisso de quem for eleito em outubro.”

Essa também é a expectativa do presidente da BR Distribuidora, Ivan de Sá. “A partir de 1º de janeiro a gente está entendendo que volta a sistemática anterior, com preços livres. Obviamente estamos preocupados em saber qual é o nível de preço que vai estar na virada do ano. E temos visto o petróleo subindo, o câmbio subindo. E isso causa uma preocupação”, disse Sá.

A BR reivindica receber cerca de R$ 25 milhões por perdas com importação devido ao programa de subvenção do diesel. “Temos um período de transição que está sendo discutido [com o governo] como resolver esse valor. Estamos mostrando aos órgãos competentes quais são as perdas decorrentes disso”, disse Sá, após participar do evento “O posto para além do combustível”, na Arena Valor do Conhecimento, promovido pelo Valor e pelo Instituto Brasileiro do Petróleo na Rio Oil & Gas.

Fonte: Valor Econômico